Nossa amiga XXXX diz em seu e-mail: “ Depois que dei uma surra na amiga das minhas irmãs, que frequentava a minha casa e era amante do meu pai,eu perdi totalmente o respeito e consideração por ele. Temos brigas constantes e ele já tentou me bater duas vezes. Moro na casa do meu avô pai da minha mãe. Todo final de semana e feriados prolongados meus pais vão pra lá, e aí começam as brigas. Minha mãe está com alzheimer. Eu sinto repulsas só de vê-lo, sinto nojo, acho que até um ódio mortal. Tá difícil a convivência. Não saio de casa porque minha madrinha tem 85 anos e não posso deixá-la sozinha pois foi ela quem me criou, educou e me formou. Peço sua ajuda.

Resposta

É bastante compreensível a revolta de nossa amiga. Ao descobrir o relacionamento do pai com a amiga das irmãs, perdeu a cabeça. Compreensível mas isso não lhe dá, necessariamente razão. Maria Aparecida, você não é responsável por fazer com que outras pessoas “vejam a luz” e não precisa “colocá-las na linha”. Você é responsável por ajudar a si mesmo a ver a luz e a se colocar na linha e não ao seu pai ou à amiga de suas irmãs. Lembre-se que a infalibilidade e a perfeição não são uma característica humana. O filósofo Voltaire disse que a primeira lei da natureza é a tolerância – já que temos uma porção de erros e fraquezas.

(?) Você estaria sentada em um trono designado por você mesma?

Isto posto, vamos ao ponto: vamos ver a situação por outra perspectiva. Primeiro: A biografia, isto é, a história de vida de seu pai não está limitada apenas a este episódio. (?) Seu pai pode ser definido apenas por esse comportamento? Certamente que não. Ele teve milhares de outros comportamentos e muitos deles, com certeza, foram benéficos a você, a sua mãe e às suas irmãs. (?) Você não os estaria ignorando?

Segundo: o mal de Alzheimer é uma doença terrível. A personalidade do doente morre e o corpo continua vivo. Imagine que sua mãe fique ou esteja incapacitada de cozinhar. (?) Será que seu pai deveria morrer de fome, não comer fora? Claro que não! Agora, só porque o assunto é sexo, uma necessidade tão biológica quanto comer, por que deveria ser diferente? Maria Aparecida: pense no seguinte: quanto mais compreender as pessoas, menos você se zangará com elas.

OBS:

Se Deus quisesse que julgássemos as pessoas teríamos nascido de toga.

André Lyra