domingo, 12 de setembro de 2010

OS SETE PECADOS CAPITAIS


Um casal chegou do trabalho. Mas naquela noite quando eles abriram a porta, levaram um susto: havia algumas pessoas dentro da casa. Achando que eram ladrões, marido e mulher ficaram assustados. Mas, um homem forte e saudável, com o corpo de atleta disse:

- Calma, nós somos velhos conhecidos e estamos em toda a parte do mundo. – Helena pergunta: - Mas quem são vocês? – O homem com corpo de atleta responde: - Eu sou a Preguiça. Estamos aqui para sair definitivamente da vida de vocês. – Helena, nervosa, mas curiosa pergunta: - Como você pode ser a preguiça se tem um corpo de quem vive malhando e praticando esportes? - A preguiça rapidamente responde: - A preguiça é forte como um touro e pesa toneladas nos ombros dos preguiçosos. Com ela, ninguém pode chegar a ser um vencedor. Num canto, uma mulher velha curvada, com a pele cheia de rugas, que mais parecia uma bruxa diz: - Eu, meus queridos, sou a Luxúria. – João, indignado fala: - Não é possível! Você não pode atrair ninguém com essa feiúra. A velha responde: - Não há feiúra para a Luxúria. Sou velha porque existo há muito tempo entre os homens. Sou capaz de destruir famílias inteiras, perverter crianças e trazer doenças para todos até a morte. Sou esperta e posso me disfarçar na mais linda mulher. Um cheiro nada agradável invade a casa e um homem, todo sujo, parecendo um mendigo, fala para o casal: - Eu sou a Cobiça. Por mim, muitos já mataram, traíram. Sou tão antigo quanto a luxúria. Mas dependo dela para existir. Uma mulher lindíssima, com o corpo escultural aparece e diz: - E eu, sou a Gula. – Os donos da casa se assustaram e a esposa disse: - Sempre imaginei que a gula seria gorda. – A Gula responde: - Sou linda e atraente, porque se não fosse, seria muito fácil se livrarem de mim. Minha natureza é delicada, normalmente sou discreta, por isso, nem me percebem. Me mostro sempre disposta a ajudar na busca da luxúria. Sentado numa cadeira, em outro canto da casa, um senhor, também velho, mas com o rosto suave e voz calma diz: - Eu sou a Ira. Alguns me conhecem como raiva. Tenho muitos milênios também.– Helena desapontada fala: - Ira? Você parece mais um vovô que todos gostariam de ter. – E a Ira responde: - E a grande maioria me tem! Matam com crueldade, provocam brigas horríveis e destroem cidades quando me aproximo. Sou capaz de acabar com qualquer sentimento diferente de mim. Posso estar em qualquer lugar e entrar nas mais protegidas casas. Pareço calmo e sereno para lhes mostrar que a ira pode estar no aparentemente manso. Posso ficar dentro do íntimo das pessoas sem me manifestar, provocando as mais terríveis doenças. De repente, uma jovem, usando jóias valiosíssimas roupas caras, diz: - E eu sou a Inveja. Faço parte da história do homem desde a sua criação. - Helena, então, pergunta: - Como você pode ser a inveja, se é rica e bonita e parece ter tudo o que deseja? – E a Inveja responde: - Existem os que são ricos, os que são famosos e os que não são nada disso, mas eu estou entre todos. A inveja surge pelo que não se tem e o que não se tem é a felicidade. Felicidade depende de amor, e isso é o que demais precisa a humanidade. Onde eu estou, também está a Tristeza. Enquanto os invasores se explicavam, um garoto, que parecia ter uns cinco, seis anos, brincava pela casa sorrindo, inocente, com toda a sua juventude pela frente, olhos ativos. Helena, curiosa, pergunta: - E você, garoto, o que faz junto a esses que parecem ser o mal em pessoa? – O garoto responde sorrindo e com um olhar profundo: - Eu sou o Orgulho – Helena não acredita: - Orgulho? Mas você é apenas uma criança! Tão inocente como todas as outras. O menino fica tão sério a ponto de assustar o casal e diz: - O orgulho é como uma criança mesmo. Se mostra inocente e inofensivo. Mas não se enganem, sou tão destrutivo quanto todos aqui. Quer brincar comigo? Nesse momento, a Preguiça interrompe a conversa: - Vocês devem escolher quem de nós sairá definitivamente de suas vidas. Queremos uma resposta. João diz: - Por favor, dêem dez minutos para pensarmos. João e Helena vão para o quarto e lá fazem várias considerações. Dez minutos depois voltam. – A Gula pergunta: - E então, o que decidiram? – João responde: - Queremos que o Orgulho saia de nossas vidas. O garoto olha com muito ódio para o casal, pois queria continuar ali. Mas, vai embora. Os outros, em silêncio, iam acompanhando o garoto quando João pergunta: - Ei! Vocês vão embora também? O menino, que é o Orgulho, então diz com raiva e com a voz forte: - Vocês escolheram que o Orgulho saísse de suas vidas e fizeram a melhor escolha, porque onde não há orgulho, não há preguiça. Os preguiçosos são aqueles que se orgulham de nada fazerem para viver, não percebendo que na verdade, vegetam. Onde não há orgulho, não há luxúria, pois os que têm luxúria, têm orgulho de seus corpos e se julgam merecedores. Onde não há orgulho, não há cobiça, pois os que têm cobiça, têm orgulho das migalhas que possuem, juntando tesouros na terra e invejando a felicidade dos outros. Não percebem que na verdade, são instrumentos do dinheiro. Onde não há orgulho, não há gula, pois os gulosos se orgulham de suas condições e jamais admitem que o são. Onde não há orgulho, não há ira, pois os que têm ira, com facilidade, destroem aqueles que, segundo o próprio julgamento, não são perfeitos, não percebendo que na verdade, sua ira é resultado de suas próprias imperfeições. Onde não há orgulho, não há inveja, pois os invejosos sentem o orgulho ferido ao verem o sucesso dos outros, seja ele qual for. Precisam constantemente superar os demais nas conquistas, não percebendo que na verdade, são ferramentas da insegurança. Todos saíram sem olhar para trás e, ao baterem a porta, um fulminante raio de luz invadiu a casa. O QUE APRENDEMOS: O orgulho cega as pessoas! E cegas, mais facilmente cometem pecados.

REFLITA!

André Lyra

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